Florianópolis, 05/10/2017 – A deputada estadual Ana Paula Lima (PT) manifestou na tribuna, nesta quinta-feira, 5, seu descontentamento e preocupação com as decisões arbitrarias da Justiça, a atuação da mídia e o comportamento da sociedade diante dos acontecimentos recentes envolvendo a morte do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luis Carlos Canciller, e a absolvição do ex-prefeito de Brusque, Paulo Eccel.

fotonoticia-IMG_7936

Para a deputada, “a onda agora é julgar qualquer um sem provas, condenar por ser negro, mulher e até pela orientação sexual”. Infelizmente, segundo ela, “a sociedade perdeu seus princípios e acaba julgando muitas vezes sem conhecer direito o assunto, influenciando negativamente principalmente na vida de quem é julgado”.

“A Justiça e seletiva, por isso, a população precisa fazer uma boa reflexão sobre a destruição da reputação das pessoas. O reitor infelizmente não segurou essa onda e cometeu suicídio. Estamos numa onda de julgamento de caça às bruxas, mas precisamos ter mais paciência, mais amor e menos ódio”, ponderou.

Na tribuna, Ana Paula também falou das condenações, principalmente políticas, sem prova, como o caso do ex-prefeito de Brusque, Paulo Eccel.   Em 2015, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato do político pela acusação de uso indevido de dinheiro público, mas na semana passada Eccel foi absolvido.

“Paulo foi nosso colega aqui nesta casa e por um erro da Justiça precisou deixar a prefeitura. Ele foi humilhado pela mídia local e regional, humilhado pela população. Foi uma condenação absurda, mesmo mostrando os casos parecidos de outros prefeitos do estado, Ecccel não foi perdoado nem pela Justiça nem pela população”, destacou.

“Agora, mais de dois anos depois de muito sofrimento dele e de sua família, das pessoas que apoiaram, da população que votou nele a decisão foi revista e o político absolvido. Agora pergunto a vocês: quem vai reparar esse dano da perda do mandato? Quem vai reparar os danos sofridos pela população nesse período? Quem vai reparar os danos morais e emocionais do Paulo?”, questionou.

Ana relembrou ainda o sofrimento da população que o escolheu democraticamente. No período em que Eccel deixou o cargo três prefeitos assumiram a prefeitura por decisões da Justiça. “Brusque foi lançada em um mar de incertezas jurídicas, que acabaram causando o abandono administrativo.  O punido não foi apenas o prefeito honesto, mas sim toda a população de Brusque”, disse.

“Hoje Paulo está feliz, a família está feliz, o Partido dos Trabalhadores também está muito feliz com isso, pena que demorou dois anos para decretar a inocência”, reforçou.

Para finalizar, a deputada disse que “já passou da hora de fazermos uma reflexão sobre o punitivismo e o justiçamento e tomarmos atitudes concretas para corrigir esses equívocos e parar com condenações do próximo”.

“Nessas horas é sempre bom lembrar do poeta inglês John Donne, que dizia: nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. e por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.